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Segredos e histórias de duas plantas simbólicas do Natal

Poinsettia: mitos, lendas e curiosidades


poinsétia

Na quadra natalícia, diria que é quase impossível irmos a um centro comercial, supermercado ou até mesmo pela rua sem que se tropece numa planta, verde e vermelha, de nome comum Poinsétia, Manhã-de-Páscoa ou até Estrela-de-Natal. Pertencente à família Euphorbiaceae (família da mandioca e da árvore-da-borracha), a Poinsétia recebeu o nome botânico Euphorbia pulcherrima, significando “a Euphorbia mais bela”.

Mas de onde vem esta planta e o que tem de especial?

A história começa no México, por volta do século XIV, onde os Astecas a usavam como planta medicinal. A planta era tão apreciada que “Quetlaxochitl”, o nome asteca, era usada para produzir corantes vermelhos e/ou púrpura para roupas. Diz-se que Montezuma, o último imperador asteca, era tão obcecado pela planta que exigia caravanas de poinsétias para o seu palácio na capital Teotihuacan, já que esta planta não cresce em altitude.

A lenda

Mas é já no séc. XVI que “Quetlaxochitl” começa a sua viagem como tradição decorativa natalícia. Tudo começou na cidade de Taxco de Alarcon, onde um casal de crianças foi ao presépio da cidade oferecer um presente ao menino Jesus, como mandava a tradição. A menina (comumente referida como Pepita ou Juanita) não possuía recursos e chorava por não poder ofertar uma prenda de acordo com a importância de Jesus. No entanto, o menino que a acompanhava (diz-se que se chamaria Pedrito) disse-lhe que desde que fosse um presente oferecido com amor, tudo o menino Jesus receberia com agrado. A menina recolheu então flores silvestres que ali cresciam e fez um ramo que foi ofertar. Deus ficou absolutamente comovido com o gesto e decidiu tingir a planta de vermelho-forte para lhe conferir a importância que merecia.

A verdade

Foi precisamente na cidade acima mencionada e na mesma época, que um frade franciscano começou a decorar a sua igreja com esta planta colorida, um arbusto que cresce na região podendo atingir os 3 metros de altura, para decorar o presépio e usando-a nas procissões natalícias. Pouco a pouco, entre 1521 e 1821, esta prática parece ter-se intensificado e alastrado a todo o México.

Os factos

São muitos os mitos associados a esta planta tão procurada e desejada. Assim, é costume dizer-se que o látex (líquido de aspecto leitoso que escorre de folhas, caules e outros órgãos, quando cortados) produz uma forte reação alérgica da pele tanto a pessoas como animais, podendo até provocar náuseas, além da irritação. No entanto, poucas serão as pessoas e animais susceptíveis a tais efeitos.

As Poinsétias não são venenosas como comumente é referido em inúmeras publicações incluindo aquelas online. Há já várias décadas que um estudo da Universidade Estatal do Ohio demonstrou que uma criança com cerca de 23 kg de peso teria que comer cerca de 500 folhas de poinsétia para sentir qualquer efeitos gravemente tóxicos. Como o sabor da planta é extremamente desagradável seria extremamente improvável que qualquer criança conseguisse aquele feito. De qualquer modo, quando ingeridas, as folhas podem provocar vómitos e diarreias. Assim, talvez não seja pior evitar o contacto da planta com crianças e pequenos animais de companhia.

As partes vermelhas da planta, que a maioria das pessoas designa como flores são, na realidade, folhas modificadas (brácteas) que protegem as flores as quais são diminutas e amareladas.

Na atualidade existem mais de 100 variedades de poinsétias. As poinsétias encontram-se em todas as cores desde o tradicional vermelho ao branco, passando pelo rosa, “Bordeaux”, marmoreado, variegado, etc. Curiosamente as variedades em questão são plantas de interior, ao contrário das plantas silvestres originais.

O nome vernáculo Poinsétia (Poinsettia em inglês) é uma homenagem ao Embaixador americano Joel Roberts Poinsett (séc. XIX), que deu a conhecer esta planta ao mundo, tendo em 12 de Dezembro de 1991, dia do aniversário da morte de Poinsett (1851), sido declarado o “Dia da Poinsettia”, nas terras do tio Sam.

 

Artigo: Rubim Almeida | Departamento de Biologia da FCUP
Fotos: (à esquerda) © Rubim Almeida; à direita © DR




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