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Processos Retóricos e Performativos

Código: TIPRP     Sigla: PRP

Áreas Científicas
Classificação Área Científica
OFICIAL Desenho

Ocorrência: 2012/2013 - 1S

Ativa? Sim
Página Web: http://arquivoerepertorio.yolasite.com/
Unidade Responsável: Desenho
Curso/CE Responsável: Desenho e Técnicas de Impressão

Ciclos de Estudo/Cursos

Sigla Nº de Estudantes Plano de Estudos Anos Curriculares Créditos UCN Créditos ECTS Horas de Contacto Horas Totais
MDTI 11 Plano Oficial 2011 1 - 6 45 162

Docência - Horas

Teorico-Prática: 3,00
Tipo Docente Turmas Horas
Teorico-Prática Totais 1 3,00
Paulo Luís Ferreira de Almeida 3,00

Língua de trabalho

Português

Objetivos

OBJECTIVOS ESPECÍFICOS
Compreender e criticar as imagens na sua dimensão retórica e performativa.
Sequenciar processos criativos motivados pela infiltração do desenho em contextos performativos.
Identificar os factores e as estratégias que fundamentaram a emergência do desenho como acto performativo na arte contemporânea, e do acto performativo como desenho.
Explorar as potencialidades expressivas dos processos de transferência de acções entre campos performativos.
Apoiar uma prática mais coerente e auto-crítica em projectos que se desenvolvem na confluência entre o desenho e contextos performativos.

RESULTADOS DE APRENDIZAGEM
1. Familiaridade com o estado da arte da Retórica da Imagem.
2. Aplicar os conhecimentos adquiridos na análise e problematização de casos de estudo específicos.
3. Desenvolvimento e apresentação de um corpo de trabalho prático que ensaie o desenho na sua dimensão retórica e performativa.

Programa

«Performativo» é um termo cada vez mais infiltrado nas várias áreas do pensamento e da actividade humana. Ele é hoje o que a ideia de disciplina foi para os séculos XVIII e XIX. Esta hegemonia resulta em parte da amplitude do termo, marcado por contradições internas: o que ele significa na filosofia da linguagem ou na gíria empresarial é radicalmente diferente do seu uso no contexto artístico. Se, num dos extremos, é marcado pelo signo da autoridade, da eficiência e da produtividade, no outro é marcado pelo uso retórico da acção, experiência directa e processo. Este interesse exponencial pelo «performativo» como conceito globalizado tem efeitos perversos. O mais visível é a tendência para uniformizar tudo sob o mesmo guarda-chuva conceptual, sem reconhecer que as contradições do termo são o que melhor o caracteriza, perdendo com isso a especificidade que ele assume quando se manifesta em domínios situados à margem da organização empresarial, dos modelos do espectáculo cultural ou da eficiência tecnológica.
Mas este interesse criou também novos ângulos de visão sobre aquilo que, não sendo performance no sentido ontológico do termo, é frequentemente apreendido como um acto performativo, como sucede com o desenho, as suas imagens e procedimentos. Com efeito, a confluência entre o desenho e os domínios da performatividade é indicadora das fricções entre os vários campos que adoptaram o termo. Mas revela também uma dimensão que é inerente e específica do desenho.
Estes seminários pretendem ser um espaço de experimentação e reflexão sobre as interferências do acto performativo nas motivações e estratégias do desenho contemporâneo. Essa influência é aqui rastreada em dois sentidos:
Um é pragmático, e refere-se às situações em que os desenhos são extensões de contextos performativos.
O outro é retórico, e enquadra os casos em que o desenho significa em acto, ou significa como acto: instruções, documentos, dedicatórias, ou como substituto de actos performativos que o artista não quer ou não pode efectivamente realizar, afirmando-se deste modo como o lugar de inscrição de uma performance virtual.

O programa estrutura-se assim em módulos fundamentados na articulação destes dois sentidos. A saber:
1. Quando as imagens são actos: a dimensão retórica das imagens do desenho.
2. O campo semântico do performativo: a extensão linguística e a extensão somática do termo.
3. Transferência de acções entre campos performativos: o desenho como acto fingido.
4. Transferência imagem-acto: arte por instrução e desenho protocolar.
5. Transferência acto-imagem: o sentido documental do desenho da performance – notações e índices. A relação espaço, movimento, evento no desenho: o desenho de reportagem; o sistema de transcrições de Bernard Tschumi. Visualizar o processo performativo – o ciclo RSVP de Lawrence Halprin.
6. O desenho como imagem de um corpo que actua. Fundamentos biológicos e semióticos dos gestos no desenho. Percepção da acção e contágio motor.
7. Jogos fictícios com o tempo: aspectos de duração e ordem nos processos do desenho.
8. Desenvolvimento experimental. Exposição e discussão pública

Métodos de ensino e atividades de aprendizagem

O programa é abordado a partir de aulas expositivas com recurso à análise visual e teórica de casos de estudo concretos – obras e textos analíticos – referentes aos conteúdos programáticos.
Esta base expositiva não exclui o recurso a uma componente experimental. Pelo contrário, pretende-se motivadora de uma abordagem fenomenológica, que procura compreender o desenho em contexto performativo numa prática incorporada. Os seminários integram, por isso, uma discussão colectiva em torno de 4 propostas experimentais
1) Quando as imagens actuam: análise retórica da imagem
2) Transferência de uso: quando as acções migram;
3) Transferência imagem-acto: arte como instrução;
4) Transferência acto-imagem: desenho e documento.

Tipo de avaliação

Avaliação distribuída sem exame final

Obtenção de frequência

A avaliação é feita com base na participação dos seminários e num trabalho final. Este trabalho final é baseado numa prática que problematize, explore e individualize, nos pressupostos do trabalho experimental de cada um, as múltiplas acepções do performativo no âmbito do desenho, suportado por um portefólio crítico e por uma apresentação viva voce em seminário (em alternativa, poderá decidir-se pela realização de um texto, sob a forma de um artigo de 2500 palavras, no mesmo âmbito)
O portefólio crítico consiste na compilação e organização do material realizado e recolhido durante o processo de planeamento e realização do trabalho final.
A apresentação deverá incidir na articulação entre a descrição das motivações, estratégias e referências do trabalho prático, o portefolio crítico, e os conteúdos teóricos abordados nos seminários

Fórmula de cálculo da classificação final

Análise retórica da imagem: até 20%
Participação no seminário "Transferências de uso" - até 10%
Participação no seminário "Transferência imagem-acto" - até 10%
Participação no seminário "Transferência acto-imagem" - até 10%
Trabalho final e portefolio crítico - até 50%

Observações

BIBLIOGRAFIA PRINCIPAL
AA VV. Danses Tracées: Dessin et Notation des Chorégraphes. Paris: Dis Voir, 1994.
BUTLER, Cornelia H. (ed.). After Image: Drawing Through Process (cat. exp.). Los Angeles: MOCA, 1999.
GOODMAN, Nelson. The Languages of Art: an Approach to a Theory of Symbols. 2ª ed.. Indianapolis/Cambridge: Hackett Publishing Company, 1976.
HALPRIN, Lawrence. The RSVP Cycles: creative processes in the human environment. New York: George Braziller, 1969.
HOWELL, Anthony. The Analysis of Performance Art. Amsterdam: OPA, 1999.
KAPROW, Allan. Essays on the blurring of art and life. London: University of California Press, 1993.
MCNEILL, David. Hand and Mind: what gestures reveal about thought. Chicago: The University of Chicago Press, 1992
BUTLER, Cornelia; ZEGHER, Catherine (eds.) (2010). On Line – Drawing Through the Twentieth Century. New York: MOMA
CARRERE, Alberto, SABORIT, José (2000). Retórica de la Pintura. Madrid: Catedra.
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HILL, Charles A.; HELMERS, Marguerite (eds.) (2004). Defining Visual Rhetorics. London: Lawrence Erlbaum Associates.
IRUJO, Julián (1993). “Utilización retórica del mito de la Gioconda en la publicidad y en el arte”. in NAVARRO, Alberto; PUEO, Juan Carlos; SALDAÑA, Alfredo (eds.) (1996). Mitos (actas del VII Congreso Internacional de la Asociación Española de Semiótica). Vol. II. Zaragoza: Universidad de Zaragoza.
MOLINA, Juan José Gómez (ed.) (2007). La Representación de la Representación: Danza, Teatro, Cine, Música. Madrid: Catedra.
MONDZAIN, Marie José (2003). “A imagem pode matar?”. In Revista de Comunicação e Linguagens: Imagem e vida. 31. Lisboa: Relógio D’Água Editores, Fevereiro de 2003.
PINK, Sarah et al (ed.) (2004). Working Images: Visual Research and Representation in Ethnography. New York: Routledge.
GROSS, Ulrike; BERG, Stefan (eds.). Diving Trips: drawing as reportage. Dusseldorf: Richter Verlag.
SCHECHNER, Richard. Performance Studies: an Introduction. New York: Routledge, 2002.
SOPHER, H.. “The archetypal patterns of discourse”. in Semiótica – Journal of the Internacional Association for Semiotic Studies. 109-1/2, 1996.
SPERLINGER, Mike. “Orders! Conceptual Art’s Imperatives”. In SPERLINGER, Mike (ed.). Afterthought: new writing on conceptual art. London: Rachmaninoff’s, 2005..

BIBLIOGRAFIA SECUNDÁRIA
ARDENNE, Paul ([2002] 2006). Un Arte Contextual: Creación artística en medio urbano, en situación, de intervención, de participación. Traducción española de Françoise Mallier. Murcia: Cendeac.
AUSLANDER, Philip. (2006). "The Performativity of Performance Documentation". PAJ: a Journal of Performance and Art. 84. Vol 28, September 2006.
BIAL, Henry (ed.) (2004). The Performance Studies Reader. London and New York: Routledge.
BLAKEMORE, Sarah-Jayne; FRITH, Chris (2005). “The role of motor contagion in the prediction of action”. In Neuropsychologia. 43, 2005.
CRIQUI, Jean-Pierre (ed.). Robert Morris : Blind Time Drawings, 1973-2000 [cat. exp.]. Prato: Centro per l’Arte Contemporanea Luigi Pecci, February 26-May 29 2005.
HURLEY, Susan (2006). "Active Perception and Perceiving Action". In GENDLER, Tamar Szabó; HAWTHORNE, John (eds.). (2006). Perceptual Experience. Oxford: Clarendon Press.
LAKOFF, George, JOHNSON, Mark. Metaphors We Live By. Chicago: The University of Chicago Press, 2003.
MUSSELER, Jochen et al (eds.) (2004). Visual Space Perception and Action. London: Psychology Press.
PHELAN, Peggy (1993). Unmarked: The Politics of Performance. London and New York: Routledge.
SCHECHNER, Richard (1985). Between Theatre and Anthropology. Philadephia: University of Pennsylvania Press.
TAYLOR, Diana. The Archive and the Repertoire. Durham and London: Duke University Press, 2003.
TSCHUMI, Bernard (1996). Architecture and Disjunction. Cambridge: The MIT Press.
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