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Exposição | 'Lugar de sombra' de Jorge Abade | Projecto Riscotudo

9 de junho - 15 de julho de 2022, 9h00-20h00, Átrio da Biblioteca


© Jorge Abade. NÃO ESTOU AQUI 2021. Carvão e grafite em papel de 200g. 100 X 70 cm.

A exposição 'Lugar de sombra' de Jorge Abade, professor convidado da FAUP onde leciona Desenho 1, vai estar patente no Átrio da Biblioteca da FAUP de 9 de junho a 15 de julho de 2022, no âmbito do projecto Riscotudo com curadoria dos professores da FAUP José Manuel Barbosa e José Maria Lopes.


A inauguração decorre no dia 9 de junho, 5.ª feira, às 18h30.

A mostra, de entrada livre, poderá ser visitada até 15 de julho, no Átrio da Biblioteca da FAUP, de 2.ª a 6.ª feira, das 9h00 às 20h00 (encerra aos feriados). 

Lugar de sombra

Considere-se uma vela acesa no centro de uma gigantesca sala escura. No início, ao entrarmos nessa sala, só nos apercebemos de um ponto de luz, como uma estrela solitária no meio de um imenso céu negro, não temos noção de mais nada nem tampouco das dimensões desse lugar. Ao aproximamo-nos, esse ponto luminoso inconstante, tremeluzente, com uma vibração orgânica como a das vidas naturais, vai ganhando levemente consistência e presença, sem nunca se livrar da sua vulnerabilidade.
Não se impondo, o brilho dessa singular vela inunda subtilmente todo o espaço. Apercebemo-nos disso porque, ao olharmos para nós, vemo-nos tocados por essa doce (porém dramática), tenebrosa e frágil luz. Nesse momento descobrimos que o nosso corpo opaco censura essa luminosidade, percebemos, portanto, que temos corpo e a consequência disso – analogamente ao que Dante observa e designa por «sombra da carne» (l’ombra della carne), no Paraíso da sua Divina Comédia (Canto XIX, 53-88). Ter sombra é ter corpo, assim como no seu reverso conceptual – ter corpo é ter sombra.
Voltando de novo à vela, agora já temos proximidade suficiente para nos apercebermos que também ela tem um corpo, também ele (esse corpo) tem uma ombra della carne. No caso desta nossa vela solitária num campo de treva, a sombra da sua carne é criada pela sua própria censura à luz, aquela que é produzida no seu consumir-se, a sua derradeira razão prática de existir. A vela vela a sua própria irradiação.
Percebemos ainda que a sua opacidade, interpondo-se à luz que produz, gera uma sombra projetada na superfície em que se encontra pousada. Como qualquer sombra jacente, sabemo-la relacionada com a finitude, por milénios de uma sua associação iconográfica com a morte. No caso desta mancha dançante, esconjura a morte, com o próprio movimento, inquieta-se e anseia por se entregar a uma alteridade com duas vias (dentro/fora, dar/receber), para aí ensaiar uma qualquer perpetuidade, mesmo que apenas arraigada em vestígios. Essa projeção é projeto; no seu impacto tem um desejo latente de criação.
Se nos aproximarmos exageradamente, arriscamo-nos a passar pela experiência de uma luz absoluta, uma claridade extrema com uma visão sem sombras, que cega e gera a perceção do nada, como a treva.
Se ficarmos tempo suficiente, o pavio dessa vela acabará: assistimos à sua extinção. Na ausência do corpo ficam apenas os vestígios do que deu origem à sua projeção, invisíveis. A luz que se ausentou da sala dá lugar à treva, uma ausência absoluta, não permite sequer vislumbrar os vestígios das presenças idas. Temos, por fim, uma saturação de ausências.
— Jorge Abade, Porto – 17/05/2022

Jorge Abade nasceu em Lyon, 1974. Vive e trabalha no Porto. Expõe regularmente desde 2000, estando representado em significativas coleções (públicas e particulares). Doutorou-se em Ciência e Tecnologia das Artes pela UCP (2016), com a tese 'Pintura concentrada. Elementos para definir um conceito pictórico contemporâneo: presença e itinerários da hibridação no seu sedimentar'. Licenciou-se em Artes Plásticas – Pintura pela FBAUP (2001). É docente de Desenho na FAUP, tendo também lecionado Desenho nas FCUP, UCP e IPVC.

Projecto Riscotudo

O projecto Riscotudo constitui-se como um Espaço na FAUP destinado a exposições de Desenho localizado no Átrio do Auditório da Biblioteca. Com projecto de José Manuel Barbosa que partilha a curadoria com José Maria Lopes, Riscotudo é "um espaço expositivo onde se apresentam propostas que trabalham os elementos gráficos e plásticos do desenho privilegiando técnicas e concepções estéticas dispares".

Mais informações em riscotudo.wordpress.com


Entrada livre (sujeita à lotação do espaço).
Programa sujeito a alterações (sem aviso prévio).

Este evento é passível de ser registado e divulgado pela FAUP através de fotografia e vídeo.


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