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Exposição | 'Natureza que vibra' de Armando Ferraz | Projecto Riscotudo

28 de abril - 27 de maio de 2022, 9h00-20h00, Átrio da Biblioteca


© Armando Ferraz. Desenho a carvão. Sem Título, da Série No Turno ( Espectros) 2019 /2020

A exposição 'Natureza que vibra' de Armando Ferraz vai estar patente no Átrio da Biblioteca da FAUP de 28 de abril a 27 de maio de 2022, no âmbito do projecto Riscotudo com curadoria dos professores da FAUP José Manuel Barbosa e José Maria Lopes.


A inauguração decorre no dia 28 de abril , 5.ª feira, às 18h30.

A mostra, de entrada livre, poderá ser visitada até 27 de maio, no Átrio da Biblioteca da FAUP, de 2.ª a 6.ª feira, das 9h00 às 20h00 (encerra aos feriados). 

O carvão-mesa.
Sobre alguns desenhos de Armando Ferraz.

Sobre a mesa, as mesas. Mesas de desenhos. Desenhos a carvão: a negro; manchas, linhas, poeiras, sopros, traços de maceração, mas também de apagamento, e "luzes" que se abrem como por "acaso". Multiplicam-se os efeitos do material pela acção, pelo gesto, ideado ou imaginado, em qualquer caso, desejado, de configurar uma série ou conjunto de imagens desenhadas. Eis as possibilidades do «tema-motivo»: ensaiar o entrelaço visível de uma hipotética "cena originária" que inaugura a nossa relação com o espaço, e, a partir daí, avançar no seu interior sem suspender o facto de com ele existirmos.

O que vemos? O negro do carvão destaca, faz vibrar a clareza; ao mesmo tempo, as vibrações entre formas advêm matéria sensorial. A polaridade claro-escuro é, por princípio, uma abertura figural, um "efeito" performativo que incorpora os movimentos existentes entre sensação, instrumento e papel. A mesa – mas pode ser um pedaço de chão, um pavimento, ladrilho, ou ainda um muro, as paredes, etc. – torna-se assim o operador enigmático de outras composições e figuras que atravessam o pulso do carvão. A figura-mesa objecta uma ideia feita de espaço. Todavia, e de modo paradoxal, move-a uma espacialidade que ela mesma singularmente produz.
Em cada desenho, a figura-mesa (como figura-de-espaço) revela-nos assim, de modo evidente, a natureza "invisível" e as possibilidades coreográficas, vibrantes, que a constituem. Muito para além da dimensão representativa e referencial, essas possibilidades observam-nos, contactam entre si, produzem e fazem acontecer. Figuram uma miríade de paisagens sem horizonte, como se fossem as “testemunhas” do nosso olhar desorientado.

Da negrume potência do carvão partem as mesas, os planos, os muros, as forças imanentes e sobredeterminadas que compõem a dinâmica e a coexistência de espaços e, mais especificamente, a "convivência" espacial. Estas "mesas" são enquadramentos que criam uma figurabilidade própria. O que as animam, são evocações, ou mesmo convocações, umas conscientes, outras talvez involuntárias – imagens e palavras –, implicadas nos reflexos e nos reversos especulativos dos próprios «objectos desenhados». É esta condição de reminiscência e de redesenho que nos arranca da sideração perceptiva do instante e nos instiga a ver para além da literalidade do visível. As séries de desenhos fazem com que os "efeitos de realidade" – a vida abstracta dos seus espaços – sejam precisamente aquilo que se esconde da nossa posse, do nosso olhar omni-compreensivo. Os "objectos" figurados, aparentemente tão familiares e comuns, tornam-se geradores de estranheza.
O carvão-mesa surge assim para polarizar o olhar sobre as coisas e intrigar a nossa relação trivial com o existente. Por isso, o prisma das suas variações não é um exclusivo do nosso olhar. Por exemplo: um rato olha e é olhado. Ele é, naquele instante, o intermediário, o instrumento e o meio do olhar. Por debaixo dos tampos, correndo pelo chão, ou por entre canais e túneis de difícil ingresso e percepção, o animal percorre e perfaz o seu habitat. Mas, no meio das nossas ilusões e expectativas, constatamos, com emoção, que o pequeno roedor está como nós, paralisado e surpreendido pela sombra que o projecta e o configura.
No mundo das sombras, do ser e do não-ser, do parecer e do aparecer, as manchas de carvão também veem, e o que veem são desenhos sobre desenhos... aberturas não do visível, mas do que irrompe na nossa visão. E aí, não vemos apenas o desenho e a sua ordem de coisas representadas, nem o significado estrito que representam, mas sim um interlaço visual e emotivo, reminiscente de uma "origem": figurar "a natureza que vibra".

―  Vítor Silva
Abril de 2022


Armando Ferraz nasceu em Lisboa em 1968. Vive e trabalha no Porto. Em 1993 licenciou-se em Artes Plásticas-Pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto. É docente convidado da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto desde 1997, onde lecciona as disciplinas de Desenho 1 e Desenho 2. Tem participado em exposições colectivas e realizado exposições individuais desde 1994. O seu trabalho está representado na colecção de Ivo Martins em depósito no Museu de Serralves e na colecção CAM-JAP, Fundação Calouste Gulbenkian, e está presente em diversas publicações.

Projecto Riscotudo

O projecto Riscotudo constitui-se como um Espaço na FAUP destinado a exposições de Desenho localizado no Átrio do Auditório da Biblioteca. Com projecto de José Manuel Barbosa que partilha a curadoria com José Maria Lopes, Riscotudo é "um espaço expositivo onde se apresentam propostas que trabalham os elementos gráficos e plásticos do desenho privilegiando técnicas e concepções estéticas dispares".

Mais informações em riscotudo.wordpress.com


Entrada livre (sujeita à lotação do espaço).
Programa sujeito a alterações (sem aviso prévio).

Este evento é passível de ser registado e divulgado pela FAUP através de fotografia e vídeo.





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