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[Evento adiado*] Conferência Marques da Silva 2020 | 'Resiliência' por Inês Lobo

Data a anunciar

* COVID 19

'Resiliência', este era o tema que Inês Lobo se propunha desenvolver na edição 2020 das Conferências Marques da Silva.
A entrada em vigor de um novo estado de emergência levou ao reequacionar da sua realização na data prevista, 18 de novembro. Abdicar do formato presencial e da realização na FAUP, condições que acompanham e ajudam a definir o caráter deste Ciclo desde o momento em que foi lançado, não foram opções a considerar.
Em 2021, num outro contexto e com outra segurança, as Conferências Marques da Silva regressarão demonstrando, também elas, a sua 'resiliência'.

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A Conferência Marques da Silva, anualmente organizada pela Fundação Marques da Silva com o apoio da FAUP, em 2020, tem como convidada a arquiteta Inês Lobo que apresentará a conferência 'Resiliência'.

Resiliência

Gosto particularmente da palavra resiliência.
Ou seja, da “Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação.”
— como nos recorda o dicionário.

RESILIÊNCIA 01 . Arquitecto
É talvez a palavra que melhor descreve a capacidade que os arquitectos têm de se reinventar.
Pertencemos a um tempo, um tempo frágil, desumano, precário, assimétrico...
É nele que nós, não especialistas, somos chamados a ler a realidade. Chamados a reconhecer, a procurar, a eleger, a consagrar, a propor sínteses.

RESILIÊNCIA 02 . Cidade
Sínteses que são exercícios sobre o sentido das nossas cidades — elas que são a maior invenção do homem, sistemas vivos e complexos, não poucas vezes disfuncionais — exercícios que se esperam lúcidos sobre o seu presente e futuro.
A Cidade contemporânea encerra contradições profundas e enfrenta desafios paradoxais. É vivida por não habitantes, exige e afeta recursos que não possui e escasseiam, compete no mercado global e deve manter o significado local.
No ano 2008, mais de metade da população mundial passou a ser urbana. Todavia, não necessariamente habitante na Cidade. A esta concentração urbana não tem correspondido um acesso plural e generalizado à Cidade. Já que, na sua maior parte, as novas populações urbanas a cercam enquanto ela definha.
Antes de mais, urge devolvê-la a quem a inventou. Repor os seus sistemas em funcionamento. O que nos obriga a reflectir sobre: espaço público, espaço privado, programas, proximidade, acessibilidade/mobilidade e conforto. Este exercício implica o reconhecimento/entendimento da cidade, a reinvenção de um modo de a habitar que seja o deste tempo.

RESILIÊNCIA 03 . Arquitectura
Resiliência aplica-se aos arquitectos, às cidades e também à arquitectura. À arquitectura que realmente importa: a que se afirma como um acto político, a que é feita por homens e para os homens, aquela que tem como objectivo a construção de espaços livres para homens livres. É nesta arquitectura que encontramos as respostas para os problemas de hoje.
― Inês Lobo



Inês Lobo (Lisboa, 1966) Arquiteta pela Escola Superior de Belas Artes em 1989, tendo completado o 1º do curso na FAUP. É professora na Universidade Autónoma de Lisboa e Professora Convidada no ISCTE da Universidade de Lisboa. Iniciou o seu percurso profissional em 1989, tendo fundado o seu próprio escritório, Inês Lobo Arquitectos, em 2002. É regularmente convidada para palestras em seminários e conferências internacionais. Foi participante convidada nas Bienais de Veneza de 2016, 'Reporting from the front', e 2018, 'Freespace'. Vem desenvolvendo igualmente actividade como curadora e comissária de exposições de arquitectura, tendo sido responsável pela Representação Portuguesa na Bienal de Veneza 2012, e delegada portuguesa da VIII BIAU - Bienal Iberoamericana de Arquitectura e Urbanismo. É também presença regular em júris de prémios de arquitectura nacionais e internacionais, como o prémio FAD, em 2012, ou o prémio Secil, em 2006. Em 1999 recebeu o título de Oficial da Ordem do Mérito pelo Presidente da República; em 2013, o prémio 'Mulheres criadoras da cultura' atribuído pelo governo português; em 2014 o Prémio Internacional ArcVision - Mulheres e Arquitetura; e em 2017 o Prémio AICA da Secção Nacional da Associação Internacional de Críticos de Arte.


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