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Construção. Última fronteira da arquitetura carioca

Título
Construção. Última fronteira da arquitetura carioca
Tipo
Tese
Ano
2020-12-21
Autores
Pedro Henrique Alonso de Camargo Penalva Rodrigues
(Autor)
FAUP
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Classificação Científica
FOS: Humanidades > Artes
Instituições Associadas
FAUP - Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto
Outras Informações
Resumo (PT): Com o fim da ditadura civil-miliar (1964-1985) no Brasil, foram criados alguns programas políticos para atender a passivos sociais que se agravaram nas últimas décadas. Para políticas de educação, saúde e segurança foram criados projetos arquitetônicos padronizados replicados às centenas. Este trabalho pretende dissertar sobre tais equipamentos públicos no Estado do Rio de Janeiro nas últimas décadas. Os projetos simbolizam a última fronteira de um processo de declínio da Escola Carioca e de menosprezo pela res publica. Com base no estudo dessas arquiteturas buscamos entender as causas e efeitos desta situação limite para posteriormente consubstanciar um projeto que valorize a democratização de boa arquitetura. O desenho de um edifício público deve assim garantir tanto o caráter perene na subversão à opressão, a coesão genealógica e formal para além de seu tempo quanto ser um condensador estruturante da cidade e das dinâmicas urbanas. As relações transformadoras do território no Rio de Janeiro são historicamente reflexos da profunda desigualdade social onde uma pequena parcela de privilegiados detém os saberes, as técnicas e as forças frente à maioria oprimida. Esta amálgama de tensões e conflitos, com a profusão de autoconstruções e cidades paralelas, gera a mancha urbana extensiva que compõe o sistema entrópico das conurbações brasileiras. Após a redemocratização, o governo do estado do Rio implementou, através de políticas públicas, uma gama de edificações institucionais, objetivando atender aos tais passivos sociais acentuados ao longo dos anos. Entre delegacias, postos de saúde e centros educacionais, foram centenas de obras que tiveram em comum a sua disseminação em massa em descontínuo compasso com a cidade. Hoje, por vezes, esses equipamentos são a única representação do Estado em meio a contextos urbanos de profunda dicotomia social. Em outros casos, representam uma potencialidade subutilizada de inserção urbana enquanto dispositivos arquitetônicos para além de suas restritivas funcionalidades programáticas. O investimento estatal na qualificação de espaços públicos em todas suas formas, funções e relações, passou a representar um dispêndio desnecessário segundo a ótica do neoliberalismo. Na cidade contemporânea em terras tupiniquins o acesso à arquitetura tornou-se privilégio e artigo de luxo, portanto, considerado muitas vezes supérfluo. Em conseguinte, o direito ao projeto arquitetônico enquanto expressão artística passou a se restringir, cada vez mais, a uma pequena parcela da população. O enxugamento da esfera estatal resultou em arquiteturas sinônimos de flácida firmitas , desprovida de venustas e devendo atender ao mínimo redutor possível de utilitas . Da apoteose das obras publicadas no Brazil Builds aos dias atuais, a arquitetura carioca definhou gradativamente até esta última fronteira. Foram perdidas dezenas de oportunidades de aproveitar a inserção de um equipamento para se renovar urbanidades, fazer cidade e articular o território. Assim, entende-se a prática do projeto arquitetônico como um dos meios de subverter as distorções nas relações atuais de um equipamento público replicável, com a cidade. Busca-se romper, através do desenho, com a visão de arquitetura enquanto benesse a uma parte restrita da população. Nos territórios apartados por privilégios e exclusões, o projeto arquitetônico fomentado pelo Estado deve ser mecanismo de emancipação popular e garantidor do direito à cidade. Além de reafirmar os sentidos de amparo e segurança ao povo deve expressar continuidade e permanência aos fatos urbanos, sociais e culturais. Já ao arquiteto urge a democratização de seu papel enquanto transformador social e sua reafirmação perante ao que Fernando Távora descreve como “homem entre homens – organizador do espaço – criador de felicidade.
Abstract (EN): After the end of the civilian-military dictatorship (1964-1985) in Brazil, some political programs were created to address social liabilities that have worsened in previous decades. For education, health and safety policies, standardized architectural projects were created and replicated by the hundreds. This work intends to discuss such public facilities in the State of Rio de Janeiro in the last decades. The projects symbolize the last frontier of a process of decline in the Escola Carioca and of contempt for the res publica . Based on the study of these architectures, we seek to understand the causes and effects of this extreme situation to subsequently substantiate a project that values the democratization of good architecture. The design of a public building must thus guarantee both the perennial character in subversion to oppression, the genealogical and formal cohesion beyond its time, as well as being a structuring condenser of the city and urban dynamics. The territorial dynamics in Rio de Janeiro are historically reflections of the deep social inequality where a small portion of privileged people has the knowledge, the techniques and the forces in front of the oppressed majority. This amalgamation of tensions and conflicts, with the profusion of self-constructions and parallel cities, generates the extensive urban spot that makes up the entropic system of Brazilian conurbations. After redemocratization, the state government of Rio implemented, through public policies, a range of institutional buildings, aiming to meet such accentuated social liabilities over the years. Among police stations, health posts and educational centers, there were hundreds of works that had in common their mass dissemination in discontinuous measure with the city. Today, sometimes, this equipment is the only representation of the State in the midst of urban contexts of profound social dichotomy. In other cases, they represent an underutilized potential for urban insertion as architectural devices in addition to their restrictive programmatic features. The state investment in the qualification of public spaces in all their forms, functions and relations, came to represent an unnecessary expenditure according to the perspective of neoliberalism. In the contemporary Brazilian city, access to architecture has become a privilege and a luxury item, therefore, often considered superfluous. Consequently, the right to architectural design as an artistic expression became increasingly restricted to a small portion of the population. The wiping out of the state sphere resulted in architectures synonymous with flaccid firmitas , devoid of venustas and should meet the minimum possible reducer of utilita s. From the apotheosis of the works published in Brazil Builds to the present day, the architecture of Rio gradually faded to this last frontier. Dozens of opportunities were missed to take advantage of the insertion of equipment to renovate urbanities, make cities and articulate the territory. Thus, the practice of architectural design is understood as one of the means of subverting the distortions in the current relations of a replicable public equipment, with the city. It seeks to cut, through drawing, with the vision of architecture while benefiting a restricted part of the population. In territories separated by privileges and exclusions, the architectural project promoted by the State must be a mechanism of popular emancipation and guarantee of the right to the city. In addition to reaffirming the people’s sense of support and security, it must express continuity and permanence to urban, social and cultural facts. The architect, on the other hand, urges the democratization of his role as a social transformer and his reaffirmation before what Fernando Távora describes as “man among men - organizer of space - creator of happiness.”
Idioma: Português
Documentos
Nome do Ficheiro Descrição Tamanho
Dissertação Pedro Penalva Construção. Última fronteira da arquitetura carioca 22776.58 KB
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