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U.Porto - Edifícios com história

Casa Andresen

Fotografia da Casa Andresen Photo of Casa AndresenEm 1802, o francês Jean Pierre Salabert, fabricante de "chapéus finos", comprou a Quinta Grande, outrora pertencente à Ordem de Cristo, que passou a ser conhecida como "Quinta Grande do Salabert". Pouco tempo mais tarde, a Quinta foi confiscada pelo Estado ao seu proprietário, na sequência das Invasões Francesas. Por altura da Revolução Liberal de 1820, já era propriedade de João José da Costa.

Em 1875, a propriedade foi adquirida por João Silva Monteiro, "brasileiro de torna viagem", que ordenou a demolição da antiga habitação e a construção de um palacete na então denominada Quinta do Campo Alegre.

Vinte anos depois, a Quinta passou para a posse de João Henrique Andresen Júnior e de sua mulher, Joana Andresen, que concluíram o projecto de renovação da casa e dos jardins. João Andresen era filho do homónimo industrial e comerciante de vinho do Porto e foi avô dos escritores Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) e Ruben A. (1920-1975).

Fotografia da Quinta Andresen / Photo of the Quinta AndresenA Faculdade de Ciências da Universidade do Porto debateu-se com falta de espaço para as actividades lectivas e de investigação logo nas primeiras décadas de funcionamento. Em reunião do Senado Universitário de 9 de Agosto de 1937, Américo Pires de Lima, vogal e director da FCUP, fez aprovar por unanimidade a seguinte proposta: expor ao Governo a necessidade de aquisição da quinta que pertencera a Joana e Henrique Andresen, para nela instalar o Jardim Botânico, o Observatório Astronómico e um campo de jogos. Logo no mês seguinte, a U.Porto enviou ao Ministro da Educação Nacional o pedido dos "seus bons ofícios para a aquisição da Quinta Grande de "Salabert", na Rua do Campo Alegre, n.ºs 757 a 771, a qual se destinaria a Jardim Botânico e à instalação de Museus, de campos de jogos e de cultura física da mocidade universitária". No final do ano, o Reitor informou os membros do Senado de que a compra da Quinta de Salabert tinha sido aprovada pelo Governo.

Porém, apesar das pretensões da Faculdade de Ciências, a compra da quinta permanecia por efectuar em 1943. Por esta altura, o Director da Faculdade, em ofício dirigido ao Reitor, exprime a sua mágoa perante o abandono a que o terreno e a moradia tinham sido votados: "O parque, jardins e estufas estão em risco de deterioração por falta de cuidados apropriados".

Fotografia da Casa Andresen (vista do jardim) / Photo of Casa Andresen (view from the garden)Entretanto, o Ministério da Educação Nacional teve conhecimento de que parte da Quinta do Campo Alegre iria ser expropriada para garantir a construção de acessos à Ponte da Arrábida. Razão pela qual o Ministério das Obras Públicas e das Comunicações achava não ser conveniente a compra da propriedade pela Universidade do Porto. Mas o Ministério da Educação Nacional não abandonava o seu interesse pela Quinta: "Este Ministério (…) reconheceu a necessidade de se dotar a Universidade do Porto de instalações que não possui; e reconheceu também que o local mais adequado para preencher aquelas necessidades era a Quinta do Campo Alegre. (…) O plano de urbanização há-de ser fixado de harmonia com o interesse público; o fim para que se pede a aquisição é também do interesse público. Na hierarquia destes dois interesses, qual deve ficar em primeiro lugar?"

Para além dos argumentos expostos pela Faculdade de Ciências, havia outros que jogavam a favor da compra da quinta que pertencera aos Andresen: "Socialmente, grande parte dos estudantes da Faculdade de Ciências (…) fora das aulas, vivem abandonados de toda a assistência universitária. Não falo já da tão útil e necessária residência de estudantes (…). Mas ao menos, a tão necessária educação física da mocidade universitária deve merecer o maior cuidado."

Em 1944, já é ao Presidente da Câmara Municipal do Porto que o Reitor, António José Adriano Rodrigues, expõe pormenorizadamente as vantagens decorrentes da compra da Quinta do Campo Alegre.

Fotografia da Casa Andresen (vista do jardim) Photo of Casa Andresen (view from the garden)Finalmente, em 1949, a propriedade foi adquirida pelo Estado e no dia 7 de Janeiro do ano seguinte, a Direcção-Geral da Fazenda Pública comunicou ao Reitor da U.Porto a autorização da cessão, a título precário, por parte do Ministério das Finanças, "da propriedade urbana e rústica (…) conhecida pela designação de "Quinta do Campo Alegre", para ser aplicada a diversos fins de interesse dos serviços [da Universidade] que, entretanto, se responsabilizará pela sua guarda e conservação". O Auto de Cessão foi lavrado na Direcção de Finanças do Distrito do Porto.

Para a antiga Casa Andresen foram transferidos os herbários, a biblioteca e os gabinetes do naturalista e auxiliares, para além do gabinete do Inspector do Jardim. A reparação do exterior da moradia ficou a cargo da Direcção dos Edifícios Nacionais que, entre outras intervenções, recuperou os telhados. O interior do palacete, exposto às intempéries durante uma série de anos, foi também objecto de obras de recuperação de grande envergadura.

Fotografia do Muro da Casa Andresen, que separa a propriedade da Travessa de Entre-Campos / Photo of the Wall of Casa Andresen, that separates the property from the Entre-Campos LaneA Quinta albergava um conjunto de construções residenciais e funcionais, como a casa do antigo proprietário, de 4 sobrados (cave, rés-do-chão, 1.º piso e águas-furtadas), as casas do caseiro e do motorista, court de ténis, estufas, garagem, armazéns, eiras e cortes e, ainda, um jardim de recreio, terrenos agrícolas e mata.

Em 2008, o Departamento de Botânica da Faculdade de Ciências foi transferido para novas instalações, de igual modo no Pólo 3 da Universidade, e a casa, depois de desocupada, começou a ser remodelada pelo arquitecto Nuno Valentim para acolher a exposição "A Evolução de Darwin", um evento cultural integrado nas Comemorações do I Centenário da U.Porto (2011).

Numa fase inicial, as obras centraram-se no restauro e conservação da habitação, embora também tenham contemplado a introdução de novos espaços, como um elevador panorâmico e uma casa de chá e sushi, prevendo-se que fiquem concluídas com a construção da Galeria da Biodiversidade.

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Última actualização: 2011-08-26 Página gerada em: 2013-06-19 às 06:26:00