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Cientista da U.Porto desvenda a evolução do Sol

Conclusões do estudo fundamentais para a área da astrofísica



«Daqui a quatro mil milhões de anos, o Sol vai aumentar de tamanho e de luminosidade de forma catastrófica e vai engolir o Planeta Terra, uma vez que o raio do Sol ultrapassará a atual órbita terrestre": A sentença é traçada por Tiago Campante cientista do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP) e autor de um conjunto de descobertas que podem ajudar a perceber melhor o percurso evolutivo do Sol e a composição das estrelas que povoam o universo.

Através da investigação desenvolvida durante o doutoramento, parte da qual na Faculdade de Ciências da U.Porto (FCUP) e no CAUP, o jovem cientista chegou a dois resultados significativos, já publicados em duas das mais importantes publicações científicas internacionais. O primeiro, publicado no jornal Science, resultou da análise de cerca de 500 estrelas com uma massa semelhante à do sol, na "fase adulta da vida". Para o investigador da equipa «Origem e Evolução de Estrelas e Planetas» do CAUP, as variações do brilho dessas estrelas, captadas pelos telescópios Kepler (EUA) e CoRoT (França), permitem "inferir acerca das condições no interior das estrelas" e, melhor ainda, fazer um "enquadramento do percurso evolutivo do sol".

O segundo resultado do estudo de Tiago Campante, publicado na Nature, prende-se com a descoberta de oscilações do tipo solar em estrelas com duas vezes a massa do sol. Ao JornalismoPortoNet (JPN), o cientista explica que "as oscilações nessas estrelas são excitadas por um mecanismo diferente que não é o mesmo que opera no sol e nem nas outras estrelas do tipo solar". Deste modo, fica comprovado que essas estrelas têm o "mecanismo clássico de excitação" e igualmente "o mecanismo que opera no sol e, por essa razão, tem o nome de oscilador híbrido".

Os resultados obtidos vão de encontro aos objetivos traçados pelo investigador quando começou a trabalhar na sua tese, intitulada Astrossismologia: Métodos de análises de dados e interpretação na era de missões espaciais. Estes passavam pelo desenvolvimento de "métodos de análises de dados, e a sua interpretação no contexto de missões espaciais como a missão Kepler", diz Tiago Campante.

Em declarações à Lusa, Mário João Monteiro, diretor do CAUP, destacou por sua vez que as descobertas agora reveladas têm um «enorme interesse científico», na medida em que são a confirmação observacional de que as estrelas variáveis clássicas (com massas superiores ao Sol) também podem apresentar oscilações de pequena amplitude como o nosso Sol. «Este trabalho marca a abertura de uma nova área de trabalho na asterossismologia de estrelas variáveis, que trará certamente resultados realmente inovadores», remata.

O doutoramento de Tiago Campante foi realizado em duas partes, uma numa universidade na Dinamarca, e outra na FCUP e no CAUP. A apresentação da tese teve lugar no passado dia 1 de junho, no Departamento de Física e Astronomia da FCUP.


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