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BoneMedLeg Research Project: FMUP cria coleção de esqueletos mais atual do país
JUNHO DE 2012
A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) vai criar a mais atual coleção de esqueletos identificados do país. A coleção, que servirá de referência para a identificação de cadáveres e análise de trauma no âmbito da Medicina Legal, estará disponível a antropólogos, médicos legistas e investigadores de todo o mundo. O projeto conta com um financiamento de 100 mil euros da Fundação para a Ciência e Tecnologia e intitula-se BoneMedLeg Research Project.
Recorrentemente, os profissionais das delegações do Instituto Nacional de Medicina Legal têm de identificar cadáveres exclusivamente através das ossadas, devido à falta de tecidos moles que permitam o reconhecimento através de fotos ou de impressões digitais.
A identificação com base no esqueleto é um processo trabalhoso e cujo sucesso depende da qualidade dos métodos utilizados pelos profissionais de Antropologia Forense. Muitos desses métodos são comparativos, isto é, usam valores de referência baseados em coleções de ossadas identificadas (ou seja, coleções em que são conhecidos os dados biográficos dos indivíduos que as compõem), sendo que, atualmente muitas dessas referências provêm de estudos norte-americanos.
Em Portugal, existem coleções de esqueletos identificados em Coimbra e em Lisboa. No entanto, esses esqueletos datam do início do século XX, estando desadequados para uso na Medicina Legal, devido às grandes diferenças existentes nas caraterísticas biológicas desses esqueletos (em termos de estatura, por exemplo).
Assim, Hugo Cardoso, antropólogo e investigador do Departamento de Medicina Legal da FMUP, em conjunto com uma equipa de investigadores experientes, de áreas diversas da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e de outras instituições, vai dar início à recolha das ossadas não reclamadas nos cemitérios do Porto, nas últimas três décadas.
"Na verdade, serão realizadas duas coleções: uma com base na recolha de ossadas dos cemitérios e outra com base na recolha de peças ósseas e dentárias durante as autópsias da Delegação Norte do Instituto de Medicina Legal", explica o antropólogo. Esses dados servirão para obter amostras representativas de trauma ósseo e elementos úteis para a identificação da idade, do sexo, entre outras informações.
"Nos cemitérios urbanos as sepulturas têm um caráter temporário e os cadáveres são exumados ao final de algum tempo". Por diversas razões, muitas dessas ossadas não são reclamadas pelos familiares, acabando por ser destruídas e perdendo-se para sempre. São essas ossadas que serão estudadas pela equipa de investigadores do Porto, ganhando um novo relevo e desempenhando um papel essencial ao serviço da Ciência
"A principal motivação deste projeto foi a falta de amostras de referência atuais em Portugal e noutros países", bem como a "oportunidade de testar os métodos atuais e perceber se funcionam bem e como os podemos melhorar", explica o cientista da FMUP.
Os investigadores esperam angariar cerca de 200 esqueletos nos próximos 3 anos. A recolha está a ser realizada no cemitério de Agramonte e conta com a participação da Câmara Municipal do Porto.