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Estudante de doutoramento em Biologia deteta expansão de neurotoxina letal no Atlântico Norte

Marisa Silva | 27 anos | estudante de doutoramento em Biologia



3 Marisa Silva, estudante de doutoramento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e investigadora da equipa de trabalho de Vitor Vasconcelos, docente do Departamento de Biologia da FCUP (orientador de doutoramento da estudante) e investigador do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR ), descreve ocorrência de níveis mensuráveis da neurotoxina tetrotodotoxina em gastrópodes marinhos (grande classe de moluscos, geralmente protegidos por uma concha), recolhidos em zonas costeiras do Norte e Sul de Portugal - especificamente nas praias de Vila Nova de Milfontes, Angeiras e da Memória. Este trabalho deu origem a publicação de um artigo na revista Marina Drugs.

A Tetrodotoxina (TTX) é uma neurotoxina marinha extremamente potente, típica de águas quentes. Não existe atualmente antídoto para a TTX, sendo que esta toxina é responsável por um elevado número de fatalidades em humanos especialmente no Japão, onde o peixe-balão (Fugu) é uma iguaria muito apreciada. A maioria dos casos de intoxicação ocorre por ingestão de espécimes portadores de TTX. A concentração letal para o homem é aproximadamente de 2 mg, causando morte por paragem cardio-respiratória, sendo o seu mecanismo de ação por oclusão dos canais de sódio dependentes de voltagem (Nav). Deste modo inibe a comunicação entre células eletricamente excitáveis e consequentemente provoca a paralisia dos músculos.

Segundo Marisa Silva, desde Julho de 2009, o grupo de investigação tem vindo a coletar mensalmente organismos bentónicos ao longo de toda a costa Portuguesa. Estes organismos que habitam regiões intertidais são geralmente pouco estudados como potenciais vetores de toxinas, com a exceção dos bivalves. Neste trabalho foram rastreados diferentes tipos de organismos bentónicos pertencentes aos gastrópodes (caracóis, lapas e lesmas marinhas), bivalves e equinodermes (estrelas-do-mar e ouriços-do-mar). O seu estudo é pertinente uma vez que fazem parte da base da cadeia alimentar que finda no homem, mas também são ótimos indicadores das mudanças no ecossistema. Já foi descrita a presença da TTX nestes grupos em diferentes partes do globo.

A investigadora desaconselha o consumo de qualquer tipo de gastrópode apanhado nas praias, mas refere que "produtos depurados de qualquer toxina", após algum tempo retidos em aquários, como é geralmente o caso dos mexilhões e outros moluscos sob controlo das autoridades, não representam qualquer perigo.



Fale-me um pouco do seu trabalho no âmbito do seu doutoramento na FCUP?
Tenho 27 anos e estou a concluir o meu primeiro ano de doutoramento na FCUP. A minha tese intitulada: "Search for the origin and toxicity of Tetrodotoxin in Portuguese waters" tem como objectivo principal responder à pergunta: Quão relevante é a presença da TTX nas águas temperadas do oceano Atlântico. Este trabalho nasceu no âmbito do projecto ATLANTOX, cujo objectivo primordial foi o rastreio de novas toxinas no Atlântico Norte e o desenvolvimento de novas técnicas de análise. Fundamentado que possivelmente as alterações climáticas coadunadas com a intervenção antropogénica tenham potenciado a migração de toxinas outrora consideradas de ambiente tropical, para regiões mais temperadas.

Se lhe pedisse para se auto-descrever utilizando apenas 5 palavras, quais é que escolheria?
É sempre difícil sermos juízes de nós próprios, mas cá vai: trabalhadora, curiosa, empenhada, sonhadora e perseverante.

"FCUP: 100 anos. Compromisso com o Futuro", qual a mensagem que gostaria de transmitir?
A FCUP prima e sempre primou pela competência e rigor na formação que dá aos seus estuantes. Estou muito satisfeita com a minha formação e tenho muito orgulho de fazer parte desta instituição que tanto prestígio dá ao nosso país.

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