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Estudo sobre pólen e poluentes atmosféricos contribui para a prevenção de alergias

Projeto liderado por Ilda Abreu Noronha




Ilda Abreu Noronha, docente aposentada do Departamento de Biologia da FCUP e investigadora no Centro de Geologia da Universidade do Porto (CGUP) lidera o projeto "Effects of atmospheric non-biological pollutants on pollen grains" desenvolvido em colaboração com o INETI (Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação), o Centro de Geologia e o Centro de Investigação em Química da Universidade do Porto. Este projeto é parcialmente desenvolvido no Laboratório de Palinologia do Departamento de Biologia da FCUP.

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    Acer negundo L.
O objetivo da investigação, consiste em estudar os efeitos de dois poluentes atmosféricos, dióxido de enxofre (SO2) e dióxido de nitrogénio (NO2) nas proteínas e na alergenicidade do pólen de Acer negundo L., árvore abundante na cidade do Porto. Para tal, o pólen foi exposto a duas concentrações de poluente (no limite e duas vezes o limite por hora permitido por lei para a proteção da saúde humana) numa câmara ambiental construída para o efeito. Os resultados revelaram que existe um aumento significativo de reconhecimento das proteínas potencialmente alergénicas do pólen em estudo pelos anticorpos IgE específicos de doentes alérgicos. Parece existir um efeito sinergístico entre o potencial alergénico deste tipo polínico e o ambiente urbano. Com este projeto, pretende-se identificar as partículas minerais e antropogénicas em suspensão com o pólen na atmosfera ou aderidas à parede e estudar a influência de alguns poluentes não biológicos nas características morfológicas e bioquímicas dos grãos de pólen.

Segundo Ilda Noronha, este é apenas um dos estudos que este grupo desenvolveu no âmbito do projeto, o qual foi premiado no Congresso EAACI Genebra 2012. No entanto, outros poluentes estão também a ser ensaiados bem como pólen de outras árvores existentes nos arruamentos e jardins da cidade do Porto. O pólen deste estudo em particular, é já considerado um pólen alergénico pela comunidade de imunoalergologistas e clínicos da área. O que se tem verificado com as investigações desenvolvidas, é que espécies já alergénicas, quando expostas a poluentes aumentam a sua alergenicidade e as alergias que o pólen causa são do foro respiratório como rino-conjuntivite. As causas dessas reações alérgicas são derivadas da exposição ao agente alérgico, o pólen e poluentes atmosféricos em ambientes urbanos provenientes de emissões dos veículos motorizados, fabricas, entre outros. É de salientar a importância desta investigação, uma vez que contribui para a prevenção de alergias, alertando para os períodos de floração e consequente emissão de maior quantidade de pólen para a atmosfera e para um melhor planeamento paisagístico no que respeita à seleção mais cuidada de plantas menos alergénicas nos jardins e arruamentos públicos.

A equipa de Ilda Noronha, integrando as investigadoras Raquel Teixeira de Sousa e Laura Duque foi distinguida em junho de 2012, no Congresso EAACI Genebra 2012 (EAACI 2012 Geneve), promovido e organizado anualmente pela Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica.





6 Raquel Teixeira de Sousa, 25 anos, foi a jovem investigadora distinguida no Congresso EAACI Genebra 2012, no âmbito de uma das sessões temáticas - "New insights into the relationship between air pollution and allergies", com o estudo "Effects of two atmospheric pollutants (SO2 and NO2) on protein content and allergenic properties of Acer negundo L. pollen".

Fale-me um pouco do seu trabalho?
Desde 2009 foi-me dada a possibilidade de integrar o Laboratório de Palinologia do Grupo Ambiente do Centro de Geologia da Universidade do Porto, como Bolseira de Investigação Científica no Projeto financiado pela FCT - PTDC/AAC-AMB/102796/2008 "Effects of atmospheric non-biological pollutants on pollen grains". Licenciei-me em Biologia Aplicada na Universidade do Minho e prossegui para Mestrado em Toxicologia e Ecotoxicologia na Universidade de Aveiro. Posso considerar esta bolsa como o meu primeiro emprego na área científica e onde decididamente tenho adquirido melhores competências a nível laboratorial e cientifico. Este trabalho envolve quer trabalho de campo, essencialmente na altura da primavera quando vamos aos parques e jardins da cidade do Porto colher anteras de flores que produzem a nossa matéria-prima de estudo - o pólen - que é a estrutura vegetal que transporta o gâmeta masculino (microgametófito) da planta. O pólen, além de ter a função original de assegurar a reprodução sexuada das plantas superiores, potencia também as conhecidas alergias respiratórias e a economia por toda a indústria farmacêutica relacionada com alergénios e profilaxia das reações alérgicas. As investigações em curso têm sido interessantes na medida em que se tem verificado que estes poluentes interferem com a fertilidade do pólen e que, além disto, existe também um agravamento da alergenicidade de diferentes pólenes quando expostos a poluentes atmosféricos (ozono, monóxido de carbono, dióxido de enxofre e dióxido de nitrogénio), resta perceber quais os mecanismos moleculares efetivamente evolvidos neste processo e se este aumento se revela, também, numa intensificação dos sintomas alérgicos no próprio doente.
Este projeto com a sua abordagem multidisciplinar pretende obter novos conhecimentos sobre a relação pólen/poluentes atmosféricos que contribuirão para o dia-a-dia da prática médica, nos sistemas de alerta a alergia e no apoio à tomada de decisões de planeamento paisagístico.

Se lhe pedisse para se auto-descrever utilizando apenas 5 palavras, quais é que escolheria?
Ora bem, uma seria "desenrascada" (como um bom português)... Esta é uma pergunta/cliché das entrevistas de emprego seriadas. Naturalmente saberei discernir quais os meus pontos fortes e fracos, mas é algo que prefiro reservar mais para mim, pois as pessoas que se relacionam comigo terão certamente uma opinião mais clara e imparcial sobre mim.

"FCUP: 100 anos. Compromisso com o Futuro", qual a mensagem que gostaria de transmitir?
Felicito a FCUP por todo o bom trabalho que tem desenvolvido e daí também a crescente notoriedade e bons "rankings" que a UP tem obtido quer a nível nacional quer internacional. Porém, parece-me que há algo muito importante que pode ser trabalhado. Poderia existir um "compromisso" maior com os jovens investigadores, promovendo a progressão na carreira e algo que não seja a constante renovação de bolsas, ano após ano. É necessário dar espaço e tempo para novas ideias e colaborações. Falta ainda uma efetiva e concreta associação do mundo académico com o tecido empresarial onde o melhor que a produção cientifica tem é poder "sair do papel" e ser aplicado no mundo real. É fundamental que, de alguma forma, os anos investidos a estudar e investigar sejam finalmente aproveitados, algo que está ainda muito reservado à área das Engenharias e Medicina. Deverão ser dadas oportunidades às novas gerações que estão "à rasca", mas que, mediante uma boa oportunidade, conseguem desenrascar-se e muito bem!
















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