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Ana Martins, ex-professora do Departamento de Química e Bioquímica e licenciada e doutorada em Química pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto foi distinguida com o Prémio MoMa pela administração do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque pelo estudo científico de obras-primas de fotografia, ao qual está ligada há quase cinco anos, como investigadora científica do departamento de conservação. O Museu de Arte Moderna, mais conhecido como MoMA, é um museu da cidade de Nova Iorque e atualmente é um dos mais famosos e importantes museus de arte moderna do Mundo.
Segundo Ana Martins, a ciência da conservação artística fazia parte dos interesses há muito tempo, pelo que a abertura de uma vaga no MoMA se tornou uma "oportunidade única", a que concorreu "sem nenhuma hesitação". O interesse pela "fronteira entre a química e a arte" nasceu de visitas que fez a museus em Paris durante o doutoramento, que concluiu em 1997 com a tese "Efeitos de Estrutura nas Propriedades da Interface Ouro Monocristalino - Solução", sob orientação do Professor Antonio Fernando Silva. Na coleção do MoMA há com frequência várias impressões de um mesmo negativo, com datas distintas e portanto com uma "história" e papéis fotográficos diferentes. Segundo Ana Martins, a metodologia agora aperfeiçoada, permite "em larga percentagem dos casos deduzir data aproximada" da reprodução, a par de outras caraterísticas, abrindo caminho ao estudo comparativo "de vários artistas ou dentro do trabalho de um artista", afirmou à Agência Lusa. A metodologia tem vindo a ser apresentada em conferências e revistas científicas e foi aplicada para uma exposição recente do MoMA com 200 fotos vindas da Fundação Cartier-Bresson. O próximo projeto é estudar um acervo de fotos maioritariamente de fotógrafos russos e alemães dos anos 1920 a 1940, que inclui trabalhos de outro célebre fotógrafo, Man Ray. |
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Em que consiste o trabalho premiado?
Quando cheguei ao Departameno de Conservação do MoMA, fui convidada a integrar um projeto já a decorrer e dedicado à caracterização exaustiva de papéis usados em fotografias a preto e branco. É no âmbito desse projeto que tenho vindo a desenvolver, em colaboração com especialistas em espectroscopia e quimiometria, metodologias científicas que permitem comparar e datar papéis fotográficos com base na sua composição química e propriedades físicas. Qual o impacto do seu trabalho no quotidiano do MoMa? Estas metodologias de análise tem vindo a ser integradas no conjunto de ferramentas usadas pelos conservadores e curadores do museu, seja para datação aproximada de fotografias, seja para os estudos comparativo de fotografias dum mesmo artista ou artistas contemporâneos. Em que consiste o prémio? O premio (pecuniário) Lee and Ann Tenenbaum distingue todos os anos o trabalho de um ou mais funcionários do museu numa posição júnior. |